domingo, 22 de outubro de 2017

Concordam integralmente ou discordam em parte?




Em português de PORTUGAL, traduziria o texto original assim:

Acho insensato as mulheres quererem ser iguais aos homens. Elas são superiores e sempre foram. O que se der a uma mulher, ela o transformará em algo maior. Se lhe deres esperma, ela dará um bebé.  Se lhe deres uma casa, ela devolve-te um lar. Se lhe deres mantimentos, ela dá-te uma refeição. Se lhe sorrires, ela dá-te o seu coração. A mulher multiplica e amplia o que lhe é oferecido. 

Então, se lhe deres porcaria, prepara-te para receber uma tonelada de lixo!


quarta-feira, 18 de outubro de 2017

10 pence


10 pence é o equivalente a 10 cêntimos.
Estava aqui e subitamente estabeleci uma correlação sobre o que se valoriza aqui no UK.

Dias antes de ser «dispensada» do emprego eu e a gerente fazíamos a contagem de dinheiro  da caixa (registadora) e no final tinha-a em baixo 10 «cêntimos». A gerente achou por bem comentar em meio de uma risada «foi um dia pouco movimentado, não fizeste muito dinheiro mas mesmo assim conseguiste perder 10 cêntimos». 

Eu lembrei da sua reacção no dia anterior. No dia anterior, no final da caixa feita, comentei: «Não pode ser. Eu dou sempre o troco certo!» ao que ela me respondeu, contente: «Portuguesinha, está tudo bem. São 68 cêntimos a mais. Não tem problema, ah?».

Para mim tanto é negativo se for para mais ou para menos. Se for para mais então até considero pior, porque pode significar que um cliente saiu insatisfeito. Mas isto «escapa-lhes» ao ver os cêntimos de lucro. O que sempre queria era ter a certeza que todo o cliente levou o troco correto. E ter a caixa no final do turno sem qualquer variância. Se isso não acontecesse cabe a mim saber porquê. Pode ser erro no troco ou erro do supervisor ao alterar algum produto que o consumidor desejou alterar. Naquele dia simplesmente soube que não existiu erro no troco, não recebi centimos a mais pelo que fiquei surpresa sem saber de onde apareceu a quantia em excesso. E não fiquei contente. A gerente, pelo contrário, ficou. 


Depois dela fazer o comentário dos 10 cêntimos que eu por saber o que faço sabia que faltavam, olhei para o bloco de anotações das caixas e reparei no resultado da contagem da caixa da pessoa anterior a mim. Tinha perdido 36 cêntimos (mais do triplo do «prejuízo») e feito quase metade da quantia de dinheiro que eu angariei naquele dia. 

Era tão óbvio que a sua reacção não fazia sentido que optei por nem argumentar. Não achei necessário. Por 10 cêntimos e pela caixa anterior...


Agora fico aqui a pensar se o comentário algo tendencioso não era já um indício de má vontade

Quando se quer implicar com alguém tudo serve de pretexto. 
Creio até que a implicância seja alimentada pela acção de alguns que ali se esforçavam para dar a entender que o meu trabalho era mal feito e que eu era incompetente. Bastaria um deles chegar perto dela e começar a "plantar" a ideia de que eu não era das pessoas mais lucrativas atrás do bar. 

Por acaso, a certa altura, dei conta que eles se importavam muito com isso. Então comecei a prestar atenção à quantia de dinheiro que fazia no final do turno e a espreitar a dos outros. E percebi que, de facto, até era das mais lucrativas. Por vezes, a mais lucrativa do dia. Mesmo quando «perdia» alguma clientela por me ocupar de TODO o trabalho e não ficar parada em prontidão a aguardar o próximo: Mesmo assim.  

Mas quando metem na cabeça que querem derrubar uma pessoa e se fazem «grupos»... aquilo é como um hobbie para eles. Um motivo que os une e que os satisfaz.

Estou de rastos emocionalmente, mas deveras contente por ter deixado aquele emprego e ter aquele tipo de gente pelas costas. Só espero que a seguir venha algo que eu mereça. Gente BOA! De trabalho não tenho medo. E dou o meu melhor. Só quero em troca gente decente, de boa índole e boa fé.

Temo é que isso seja esperar o impossível.



O tempo passa.
E o que não fiz está a tornar-se uma vida em si.
também o que não aprendi como se faz.

terça-feira, 17 de outubro de 2017

Pedrogão tem de fazer a diferença


Estou aqui a quilómetros de distância de Portugal e do que se passa lá. Mas o meu coração sente-se irrequieto com estas constantes notícias de incêndios. Pior: de pessoas mortas pelo fogo dos incêndios.


JÁ CHEGA, não???
Chega!


Parem de ser tão ineficazes no impedimento de mortes. Também oiço falar de incêndios em França e na Califórnia mas sem fatalidades! Até mesmo a de animais. Só existem prejuízos materiais então porque é que em Portugal fogo tem de trazer como consequência mortes humanas??

Chega!
Estou farta. Pedrogão jamais será esquecido mas jamais pensei que em três meses voltaria a ver noticiado a morte de mais umas tantas dezenas de pessoas igualmente queimadas vivas. Isto é inadmissível em pleno século XXI, com tantos recursos e tecnologia. Inadmissível. 

Estou que não posso.

Crónica da Manuela, do expresso. 
TODOS nós temos família algures nessa terra que arde. 
Todos que morrem somos nós também. 


domingo, 15 de outubro de 2017

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Fizeram-me uma «caminha»... um mal que vem para muitos bens??


Eu sei que esta história é "velha".
Existem «n» casos iguais em cada porta sim, porta não...
E eu, como não aprendo nunca, lá deixei que cá viesse bater à minha porta.

Disse num post anterior que fui «executada», no dia em que fez 50 anos do falecimento de Che.
Porque foi essa a data que escolheram para terminar o meu serviço. E foi mesmo terminado, ao estilo «exterminador implacável»: «desculpa mas, vais embora». 

Isto veio em consequência de uma queixinha que foram fazer à gerência. Aqui no UK como vos posso explicar? As coisas funcionam muito à base do queixume. A corda arrebenta sempre para o lado mais fraco. E se fazer queixinhas não é muito o hábito português, em inglaterra é algo bem visto. E esperam que o faças por tudo e por nada. Caso contrário, a culpa é tua, porque podendo tê-lo feito, não o fizeste. É a tua obrigação reportar qualquer coisa que te incomode ou que não esteja a ser bem feita. 

É assim que este país se safa: põe as responsabilidades nos ombros da própria mão-de-obra e põe todos a «espionar» uns e outros.

                                                         Image result for paz e serenidade

Há duas semanas atendi um cliente que não tinha identidade válida consigo. Percebi, só depois de a solicitar, que a pessoa tinha mais que a idade exigida para ser identificada: 25 anos. O problema é que já tinha solicitado e não se pode voltar atrás. O outro problema era a colega que estava atrás de mim. Era chiba. Daquelas que são o mesmo que tu lá dentro mas acham que mandam e são mais. Das sempre ansiosas para encontrar um pretexto para fazer a tal «queixinha». Eu não me apercebi disso e nesse mesmo dia, passado uma hora, estava a ser chamada ao escritório para prestar declarações num processo disciplinar por ter aceite uma ID inválida.

Eles NUNCA me confirmaram a identidade da chiba. Nunca mencionaram, recusaram-se a explicar como a situação chegou até o conhecimento da gerência, protegeram-na. Nem a vi a prestar depoimento, o que decerto teve de fazer. Esse documento do depoimento, se existe, nem me chegou às mãos no «dossier» que te entregam. A chiba nem se «sujou»... não deixou rastro ou provas, mas fez jogo imundo. Uma pessoa vai mal intencionada tentar prejudicar outra e, sabendo como isto aqui funciona, é bem sucedida. Porque aqui os britânicos são experts em proteger o próprio rabo. Têm centenas de anos de experiência como colonizadores que põem os outros a trabalhar e só ficam a mandar e a colher os frutos.

Isso souberam fazer bem: estruturar a sociedade de forma a que os próprios nunca fiquem a perder. Esperem pelo resultado final do Brexit, pois suspeito que vai espelhar bem esta tendência britânica.


Bom, mas a realidade é que acabei demitida. Sabem quantas vezes me apeteceu pedir demissão só nesta última semana? Uma porrada de vezes! E muito justificadamente: há outro chefe que faz bulling, segue-me até a sala do pessoal só para me vigiar, manda bocas que enervam, não deixa as pessoas respirar direito de tanto "estar em cima" e ele próprio age como um puto mimado e indisciplinado. Há ali muitos ingleses muito jovens e alguns velhos e frustrados a tentar te prejudicar porque no fundo não vão com a cara de nenhum estrangeiro. Sentir tudo isso fez-me desejar mandar tudo para o ar. Mas como sempre, não mandei. Aguentei.

(Aqui é onde faz sentido o post sobre o IDIOTA na testa).

E para quê? Dias antes quando pedi uns dias de dispensa, recusaram-se, porque não podem dispor pessoal, etc, etc. Quando quis ter férias no verão, recusaram-se, porque já estava tudo preenchido e não havia mais espaço para eu ter férias... Trabalhei sem descanso. 

Uma pessoa começa a pensar, principalmente se se vê subitamente com tempo para tal. Enquanto precisaram de mim, trabalhei que nem uma vaca leiteira. Passaram a Primavera e o Verão inteiro com muita falta de pessoal. Quem lá esteve a trabalhar nesses meses, como foi o meu caso, trabalhou não o dobro, mas o triplo. Principalmente por eles empregarem muitos que se recusam a fazer o mínimo. Então o trabalho que já é o dobro, triplica. Cheguei a fazer três coisas distintas em simultâneo. Atendo em média cerca de 500 clientes por dia. Posso atender 499 na perfeição. Se o 500º não ficar satisfeito, é sobre esse que me querem falar. Mas agora no Outono, já têm demasiado pessoal e vão meter mais... É fácil dispensar. Então dispensaram.

Tantos turnos de seis ou sete dias por semana, 10h, 10h e meia... Só não fiz mais porque aí entram as leis que os britânicos não podem quebrar para não se exporem como realmente são. Mas acreditem  que chegava a casa de rastos, sem energia para cozinhar sequer. É tudo comida congelada direita para o microondas, um pouco de youtube, dormir e acordar novamente para o trabalho. Este tipo de dedicação nem sequer é alvo de um «obrigado». Muito menos por escrito, como são a repreensões. Logo a seguir atrasei-me 5 minutos ao chegar ao emprego, dias depois aconteceu-me o mesmo mas foi 10 minutos e de imediato recebi mais um processo por andar a chegar atrasada. O fato de trabalhar muito e ficar mais tempo para terminar as tarefas impostas não é escrito em papel algum. 

E é esta história dos papéis com as falsas «nódoas» que me deixa frustrada. Se por alguma razão tenho de me sentir zangada comigo mesma, a razão é esta. Permiti que me demitissem e não me antecipei ao ato.


Não pensei que a consequência fosse o despedimento. Por pedir ID a uma pessoa com mais de trinta e sete anos... Também cometeria um crime, se não pedisse ID e a pessoa tivesse menos de 25 anos. Embora qualquer uma desde que tenha 18 possa beber! Portanto, fica-se muito limitado à capacidade de «adivinhação» em torno dos 25 e nem todos aparentam a idade que têm. A maioria dos colegas atrás do bar não se preocupam com isto. Quase só pedem ID se a pessoa tiver ar de miúdo. E por isso, mais uma vez, por agir mais próximo das regras, aumento substancialmente as hipóteses de me prejudicar. Como boa portuguesa que sou, tenho presente que se não fiz nada intencionalmente errado, muito pelo contrário, pensei estar a zelar pelo cumprimento desta regra, não tenho o que temer. Mas é "contra a lei" aceitar um documento inválido (fotocópia, foto, etc) logo, ao fingir fazê-lo para poder servir um cliente com mais que idade para consumir álcool, cometi um «crime» - de acordo com o que me foi dito. E por isso tornei-me uma pessoa de risco, que a empresa não pretende manter em serviço. Fui dispensada de imediato e não poderei voltar a ser contratada, por causa do motivo da dispensa. E é aqui que me recrimino. Permiti que me «lixassem» a vida e até futuras candidaturas a empregos semelhantes. Não mereço «nódoas» para as quais não contribui significativamente para as ter. Aqui pedem referências por ficheiro electrónico e perguntam apenas a razão pela qual a pessoa deixou o emprego. Demitiu-se ou foi demitida? E se eles só olharem para essa caixa? A razão, o fator humano nisto tudo... é descartado.

Andam tantos ali que são autênticos bullies, pessoas agressivas, preguiçosas e más, Contudo, não creio que estas sejam dispensadas de forma a não poderem voltar a trabalhar na empresa. O tal bullie que me infernizou a vida ao perceber que ia ser demitido, pediu demissão primeiro e não mais lá meteu os pés. Eclipsou-se. E de tão «importante e indispensável» que se julgava ser, passou a não fazer falta nenhuma, a nem sequer ser mencionado por ninguém e, ao que sei, deixou de ter ali amigos. Mas ao candidatar-se a outro emprego, o que vai aparecer é: "trabalhou 2 anos e demitiu-se". A agressividade, o autoritarismo, tudo o resto que nos faz seres humanos, fica de fora do CV.

Eu sei como trabalhei ali e não tenho nada de que me envergonhar. Acabou e o que fica é a sensação de orgulho. Dei muito de mim, dei tudo, servi bem a muitos, não me fiz de preguiçosa e a «paga» até foi a contracção de uma doença de pele - muito comum de acontecer a quem realmente trabalha e não fica "só a a ver".  


Quanto à chiba que não teve coragem de dar o rosto à palmatória, se o mundo for justo, o que ela planta vai colher. Fica guardado e um dia vai cair-lhe em cima com o peso de uma tonelada. Podia ter-me alertado, ter sido uma boa colega. Ao menos dizia que ia reportar o caso. Mas não... E nos dias seguintes até conversou comigo mais do que em todos os meses anteriores. Fingindo-se de amiga. Mas não me enganou. Uma pessoa que por causa de um copo com chá foi fazer queixinhas ao supervisor inventado que eu saí de perto dela furiosa por ela não me ter cedido um chá... Uma pessoa que faz queixa disto, não ia desperdiçar uma oportunidade de ouro como a que lhe caiu no colo.


E é por esta e por outras que eu sinto que este é um mal que veio para o meu bem.
Eu não me demiti, quando fui tantas vezes mal tratada ali dentro. Primeiro por um bulling que entretanto saiu. E já estava novamente a aceitar maus tratos de um segundo. Se viesse um terceiro... O destino fartou-se da minha passividade e interveio. Para me punir por não ser eu própria capaz de colocar um ponto final nas realidades que deixam de ser positivas.  


Existiu um certo alívio. Agora desabafo, porque preciso, mas depois vou à procura de outro e este não pode nem deve mais ocupar o meu pensamento. É desperdício de tempo. Nós somos nómadas. Isto de estar sempre a viver no mesmo sítio é coisa do passado, coisa de privilegiado que consegue emprego fixo no mesmo lugar. A lição que eu tenho de tirar daqui é que preciso de aprender a me defender. A atacar. Não creio que aprenda essa lição nunca... Não sozinha. É o tipo de lição que se aprende com auxílio da prática e clarificação de terceiros, detentores da experiência e a visão que a minha natureza me impede de ter. Pediram-me para não comentar o caso com ninguém quando me chamaram naquele dia e eu assim o fiz. No momento da dispensa, perguntaram-me porquê não tinha trazido uma testemunha... Como, se fui proibida de comentar o caso?? 

A minha natureza é boa demais... Vai sempre inclinar-se para «não pensar o pior» das pessoas. Para o «aguentar» qualquer agressão que me atirem.

E por vezes não é para aguentar, é para quebrar mesmo!
Mas e se «quebro» com as pessoas erradas? E se cometer uma injustiça?  - fico a pensar. Penso demasiado. Esta forma de ser permite que outros «façam-me a cama» fácil, fácil. E me entalem quantas vezes o permitir. 

Pensam que eu maltratei a pessoa que me chibou? Não... Falei normalmente e até a cumprimentei na rua! Sou parva, certo?

Preciso urgentemente de uma amigo/a do peito que me abra os olhos!!
Sozinha não vou lá.
Algum candidato a esta tarefa herculana? D

Ser «abre-olhos» laboral da portuguesinha...
Tarefa herculana!

Adenda: Entretanto passaram-se uns dias e tenho-me sentido mal. Não por causa da perda daquele emprego, mas pelo facto de estar desempregada. Isso traz recordações sensitivas traumatizantes. O que passei enquanto tentei arranjar emprego deixou marcas perpétuas, que não saram. Ter um minuto de tempo para fazer o que me apetece não é mais uma benção, é tortura. Tento meter lógica nisto, dizer a mim mesma que só se passaram umas 48h... mas no passado também eram só uns dias que viraram anos. Esse trauma tem uma repercussão emocional que me afeta bastante, a todos os níveis.

A chiba - uma miúda/graúda que até ontem andava na faculdade a ser sustentada pelos pais, num curso que nunca mais terminava nem pretendia terminar, mora com os progenitores. Não contribui financeiramente para o seu próprio sustento, não sabe o que é ser independente, ter de lutar sozinha para pagar todas as contas, um médico, o dentista, a renda da casa, o telemóvel, a alimentação enquanto os sonhos determinam que tente economizar algo para no futuro poder ter uma casa ou um carro, uma vida melhor... Ela desconhece estas experiências e o que significa andar nesta luta faz décadas. Esta chiba que ainda mama nas tetas paternas e sonha em se juntar a um homem que a sustente com luxo, deve andar a sorrir de contentamento. Sem reflectir nas implicações do seu gesto vil.

Entretanto fiquei mais tranquila quando fui a uma loja perguntar se estavam a aceitar candidaturas. Aqui há muita procura. Principalmente agora, quase no Natal. Notei, pela reação da gerente, que lhe agradei. "Pode trabalhar por turnos?" - "Sim". "Mesmo noturnos?" - "Sim". "Fins-de-semana" -"Sim".

E então percebi que estava a candidatar-me a MAIS um emprego de escravo...

A reacção da gerente devolveu-me algum ânimo, porque percebi que o desemprego dificilmente será duradouro. Mas ela também deixou escapar - revirando os olhos - que ali o trabalho era "maluco" (desorganizado) e árduo. Sinceramente, não quero mais do mesmo. A pesar de se tratar de uma loja aberta 24h e muito movimentada,  pensei que o trabalho seria «menos duro» por não incluir limpezas. Ou melhor... eu penso que não inclui. Provavelmente estou muito enganada. E se calhar, não inclui o levantar de muitos pesos... Mas também devo estar bastante enganada. Os trolleys com os produtos que eles carregam (que ainda por cima são péssimos nas rodas) não páram de circular. Uma loja aberta 24h por dia requer constante rotação de stock.

A gerente logo me perguntou se eu já tinha muitas entrevistas marcadas. Disse-lhe que tinha começado a procurar fazia dois dias. O rosto dela iluminou-se. Senti que pretendia «agarrar» a pessoa antes que ela pudesse escapar para outros empregos.

Mas também percebi que devo tentar outro tipo de funções. E não ficar presa nestas, que empregam fácil mas destroem uma pessoa fisicamente. Outra coisa que percebi é que, se não estiver contente, posso e devo pedir demissão. Por conhecer o gosto ácido do desemprego de longa duração, é um caminho que sempre me é quase impossível seguir. Só de pensar pronunciar essas palavras... cada vez que senti vontade, mudava de ideia. Porém, a lição que tirei deste último volta a ser a mesma que já tirei no passado: temos de seguir os nossos instintos. Ninguém é indispensável. Qualquer empresa dispensa-te num segundo sem hesitar. Amanhã já foste esquecido/a. O funcionário não deve ter problemas de consciência por desejar deixar de executar funções. Será substituído num piscar de olhos. Esse é o seu valor.


quarta-feira, 11 de outubro de 2017

What an Idiot!!






Não está, mas devia estar!
Para eu mesma me lembrar do quão IDIOTA consigo ser.



segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Faz hoje 50 anos...


...que Che Guevara foi executado.


Coincidentemente, também foi hoje que fui «executada».
Novos ventos terão de soprar.
Vamos a ver se escolho bem o rumo que quero tomar.

Viver e não desistir (?)


Nascemos assim:


Mas depois...





E quando crescidos...





Será (que) assim (que) chego à terceira idade???









sábado, 7 de outubro de 2017

Blade Runner 2049 - Fui ver em 4DX


Fui assistir ao filme Blade Runner 2049 e escolhi a versão 4Dx. Foi a primeira vez que entrei numa sala de cinema esperando que a cadeira abanasse, o vento soprasse, etc, etc. Mas sem saber ao certo o que dali podia sair. Fui para descobrir como os meus sentidos iam ser estimulados e de que forma essa estimulação ia intervir ou contribuir para a visualização da história.


A escolha do filme é importante - uma comédia romântica provavelmente nem terá porquê ser filmada em 4D mas Blade Runner é um filme de acção. O que eu esqueci totalmente é que muito da acção do filme se passa debaixo de chuva torrencial... 

Passei o filme todo a ser borrifada com água na cara. Tive de limpar os óculos 3D e logo coloquei o casaco sobre a cabeça acabadinha de sair do duche fazia nem meia-hora. Estreei calças novas, em pele, que também foram salpicadas. Havia um botão a dizer "desligar água" e bem que o accionei. Mas não resultou. Continuei a ser borrifada. Quando saí do filme estava a chuviscar. Mais água. Mas essa tudo bem. Vem do céu... No cinema não achei que contribuísse muito para o filme. 

Rajadas de vento, ainda vá lá. São agradáveis. O nevoeiro foi uma piada... um «borrifo» minúsculo em cada canto inferior do pequeno ecrã (achei o ecran pequeno, podia ver todo o enquadramento à volta, as paredes e outras cadeiras) que nem sequer entrava no campo de visão da imagem nem na área onde algo acontece. Na regra dos terços, o «nevoeiro» iria até  o cotovelo do ator na imagem e no outro lado até onde o colarinho toca o ombro. 

Exemplo da regra dos terços

Sobre o filme posso dizer que o que mais gostei foi da interpretação da atriz que fez o papel de... bom, o nome da personagem é Dra. Anna Stelline. E o nome da atriz Carla Juri. É de origem Suiça - não fosse um filme desta envergadura interpretado por atores de quaisquer nacionalidades. O que realmente gostei foi, mesmo antes de se descobrir a verdade, já consegui adivinhar pelos maneirismos e até sotaque que a atriz emprestou à personagem. A sua própria fisionomia, a forma como se mexia, como se movimentava e a forma de falar: em tudo fez lembrar a Rachel.

Essa foi a parte que mais gostei.
É aquele «pequeno detalhe» que um ator empresta à personagem que faz toda a diferença.

Outra bela interpretação veio da «substituta de Priss» - entregue à atriz canadiense Mackenzie Davis.  Assim que entra na história fá-lo com presença e sobressai na sua entrega à personagem. 


A pergunta à qual muitos querem ter resposta, não será respondida.
E faz sentido. Só assim faz sentido.

Sinto que me falta ver o filme mais vezes. Senti falta das legendas. Não que não entendesse o que os atores estavam a dizer, mas é um complemento ao qual me acostumei - principalmente no cinema, e do qual, sem adivinhar, comecei a perscrutar com os olhos assim que o primeiro diálogo fez-se escutar. Depois é que me lembrei onde estava :D 

Mas sinto que preciso ver o filme mais vezes por dois motivos. Estava indecisa entre ver o filme em 3D IMAX ou em 3D com 4Dx. Como achei que a oportunidade de ir a um filme mais interactivo não voltaria tão cedo, optei pelo último. Pessoalmente, ainda que seja prematuro, acho que compensa mais o estímulo que um filme filmado em 3D Imax proporciona. Técnicamente deve ser um SONHO: é filmado em película de 70 mm, o som é gravado à parte e não-sei-quantas pistas e o ecrãn é uma coisa do outro mundo. 


No cinema 4Dx as cadeiras sobem e descem - por vezes sem muito sentido. Abanam as cadeiras, sacodem-nos dos assentos a cada cena de pancada, um tubo de plástico bate-nos nos pés e outro nas costas. E somos molhados. Basicamente são estes os estímulos. Estava à espera de algo mais envolvente - nomeadamente CHEIROS. Queria sentir um odor. Mas o único que senti foi quando alguém na sala decidiu soltar uma bufa. :( 

Os únicos sentidos estimulados foram o do toque e o da visão pelo 3D. Achei pouco. Principalmente pelo preço de 20 libras.

Penso que os sentidos são mais estimulados nos filmes em IMAX, porque a audição ganha MUITO detalhe. Neste filme o som estava muito alto e basicamente foi isso. Não se sentiu o barulho da água a correr da direita, enquanto da esquerda vinha outro som - como acontece nos filmes IMAX.

A promessa de envolvência que o 4Dx promete é mais propaganda do que real. O Imax fornece muito mais aos sentidos - e não se sai da sala molhado. Acho que o «estar dentro do filme» é um exagero (principalmente devido à tela minúscula) e, para ser sincera, um dos motivos pelo qual acho que devo assistir novamente ao filme, é porque de certa forma os «efeitos» interferem com a apreciação do mesmo.

Como posso concentrar-me na acção se enquanto esta está a decorrer estou a cobrir-me com o casaco, de forma a este não ser levado com o vento nem me deixe levar com a "chuva"? 


Certamente que o filme passará em breve nas televisões. Vai estar disponível para aluguer nos videoclubes caseiros, disponível em DVD com cenas extras e comentários, etc. Vai sair em pack promocional junto com o original... 

Outras oportunidades surgirão. E aí uma pessoa vai descobrir como o filme se situa diante do todo.
O original, contudo, é imbatível. Porquê? Pelas condições em que foi feito. Com os artistas envolvidos sem saber se o filme ia ser parado e nem sequer ia ser exibido. Com eles a filmar com apenas segundos para terminar cenas. Com o diretor a saber que dali a pouco ia ser demitido. Um filme único na produção - assim como foi "O Tubarão". E um filme onde a criatividade de muitos foi acolhida como contributo para "salvar" uma produção que estava a sofrer muitas contrariedades. Resultado? Obras-primas.

Sugestões para Penteados


Estou com vontade de mudar os meus cabelos. Encontrei por acaso um vídeo no youtube intitulado "cortes para outono 2018" e carreguei por curiosidade. Fiquei inspirada e com algumas ideias, mas não vou copiar nenhuma. Até porque a maioria dos cabelos aqui apresentados são lisos. E cabelo liso presta-se a cortes que cabelo ligeiramente ondulado não se presta.

Contudo, o que me fez transportar este tema para aqui foi outro motivo. Esta imagem, uma still que tirei do vídeo:


Este já foi o meu cabelo. Com todo o respeito para com a modelo, penso até que talvez conseguisse uma quinta trança, ou apenas quatro igualmente espessas. Nesta foto o cabelo da modelo foi dividido em quatro tranças, duas mais finas à frente e duas mais grossas atrás. 


Como só uso trança nos últimos meses, uma coisa que me «chocou» foi verificar, por casualidade, que a espessura da mesma diminuiu em apenas um mês. Com o cabelo húmido, costumava fazer a trança e esta tinha a espessura das duas primeiras desta imagem. Agora tem a espessura de uma do meio, mas está seriamente a ficar com a espessura de uma da ponta. 

Para quem já teve quatro grossas, ver o progresso para isto é... pronto. Tento ver pelo lado positivo: ainda me restam alguns fios. Mas não dá, é impossível, por vezes, não abandonar um pouco o conformismo e recordar «outros tempos».


No vídeo que deixo aqui surge ainda um corte de cabelo que me trouxe lembranças. Podes vê-lo aos 7m14s. Aquela tesoura começa a cortar a parte de trás e parece que só o consegue fazer por filas, tal é a quantidade de cabelo.

Esta imagem recordou-me uma altura em que decidi cortar o meu próprio cabelo. Estava em casa, aborrecida, cansada de me ver com o cabelo comprido e decidi ir buscar a tesoura e cortá-lo um pouco acima dos ombros. Com ele seco, comecei a cortar. Primeiro no lado esquerdo, depois do direito. Já tinha uma quantidade de tufos de cabelo bem grandes no chão - davam para encher uma almofada quadrada 15x15 quando, cansada e com receio de cortar torto, percebi que, na parte de trás, na parte da nuca, não ia conseguir cortar. Era muito cabelo que me sobrava e sem ter olhos nas costas, fica difícil. 

A solução era pedir à minha mãe, quando acordasse, para mo fazer.

Vou cortar as minhas longas tranças, eheheh!

E assim, por uns minutos, andei com a parte da frente do cabelo pelas orelhas e atrás, comprido como tudo Kkkkk

Hoje jamais poderia fazer isso. Ia parecer um rato de esgoto. Teria um fiozinho de lã atrás e uns parcos curtos à frente :D

Se um dia encontrar uma imagem desse momento, publico.
Lembro-me que me filmei com o cabelo meio cortado, mas auto-filmagem em espelho com câmera daquelas do tamanho de um tijolo que funcionava com fita magnética... é outra coisa. Se um dia voltar a ver essas imagens tento tirar uma still. Mas tenho dúvidas, pois infelizmente acho que apaguei-as da fita depois de as transferir para o digital, em formato DVD, suporte esse que logo deixou de funcionar. 

E que tal?
O vídeo deu-vos algumas ideias?

O que vos apeteceria fazer no vosso cabelito?

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

A diferença entre se ser RICO ou POBRE




Não é ciência nenhuma...

Mas apeteceu-me partilhar por a minha infância ter sido o oposto. 
Alguns sabem o quanto estas palavras bonitas «picam» a alma por, indubitavelmente, trazerem à lembrança outra realidade. 

Ontem uma pessoa perguntou-me porquê me vejo numa luz «derrotista». E sem entrar em especificações, tentei explicar o quanto um certo «negativismo» nas raízes de muitas famílias portuguesas contribui para esse colectivo. 


Por isso relembro: pobre não é aquele que cresce sem bens materiais ou com pouca comida.
Pobreza é outra coisa. É quando vem do espírito.

sábado, 30 de setembro de 2017

Rutger Hauer - Calado seria um poeta (1)


O ator que fez parte do elenco do filme Blade Runner comentou que a sequela, presentemente nos cinemas, é desnecessária.

CALADO SERIAS UM POETA!

A opinião dele é:

«O filme não precisa de continuação. Mesmo que tivesse saído alguns anos depois do primeiro. Se algo é tão bom quanto Blade Runner, porque tentar replicar? É como cavar a própria cova!»


Ai, ai Hauer...

Uma pessoa admira o trabalho de um ator e depois este sai-se com pérolas destas...
Como se o mundo do cinema não estivesse repleto de sequelas e prequelas. Como se hoje até não fossem os filmes originais já feitos visando esse propósito. 

Nem parece que o ator fez parte deste filme revolucionário, que estava à frente do seu tempo...

Porque não Blade Runner?
Se O Tubarão teve tantas sequelas... e por pior que fossem nenhuma retirou ao original a qualidade que tem, nem os fãs diminuíram ou deixaram de gostar tanto do filme. Então, pergunto eu, porque não uma sequela??
Será porque ele não participa nela? Sempre tive imensa curiosidade sobre o que acontece depois de Deckard (Harrison Ford) «fugir» com a amada «réplica», Rachel, por aquela estrada entre montanhas. Uma mulher cuja data de falecimento tanto podia ser para breve, quanto não. A escolha que ambos fizeram... o que aconteceu para além disso?


Não recordo que outro filme clássico podia ter tido mais razões para uma sequela ou para ser re-contado. Talvez seja o filme que mais curiosidade despertou ao chegar ao fim. Faz sentido que o explorem. Na realidade só não fez sentido terem esperado 35 anos para o fazer!!

Dizem os que já viram, que o novo filme é maravilhoso.
Uma obra prima.

Decerto que vale a pena dar uma espreitadela :) 

Quem o conhece?

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Afogada num mar de smartphones


Ando a ler sobre smartphones porque estou a conjecturar adquirir um «melhorzinho», já que o que sempre gostei de fazer desde pequena quando nada disto existia, era gravar vídeos e tirar fotos. 


Mas cada vez que vou pesquisar sobre um qualquer modelo, sinto-me a afogar!
Afogar em dados e mais dados, que não me fazem decidir nem por A, nem por B, nem por C, nem pelo A edge, B egde, A4, A5, A5x....



SOCORRO!!!


Porque é que dificultam tanto as coisas??



Tive o primeiro smartphone no Natal de 2014. Ainda é esse o telemóvel que tenho. Foi dos mais baratos e não tem grande capacidade de armazenamento interno (apenas 500mb que é «todo» consumido pelas aplicações básicas). A câmara é uma piada. Mas é o que me tem servido até hoje.

Por isso estou a pensar investir numa máquina superior. Para ter boas fotografias, com bom contraste, cor e definição, sem ter de recorrer a um programa de melhoramento de imagem.  O mesmo para os vídeos.


A questão é que já pesquisei talvez uns 30 smartphones e não consigo decidir nada. Ora o sistema operativo X é melhor que Y, ora a câmera é dual mas não é top, ora as cores são estranhas, ora é «tudo de bom» mas existe um «efeito gelatina», e depois existe a questão do preço - que aqui nem coloquei como um problema. Vou até onde achar que mereço ir, desde que obtenha o que pretendo. 

O problema é mesmo conseguir entender, dentro do que existe, qual aparelho oferece as melhores condições para o que pretendo! Cada vez que vou pesquisar são todos bons, todos com variados preços bem dispares.  Sinto-me perdida. Por mim estava decidido: comprava todos, usava-os e depois tomava a minha decisão! Mas não é assim que pode ser...


Aderi a canais do facebook e do youtube de pessoas que só fazem críticas a lançamentos de equipamentos como smartphones, incluindo um tipo chamado Tiago que faz testes como eu gosto: com vídeos e fotografias, em simultâneo, comparando dois produtos distintos. Mas quando pensei que tal recurso podia ajudar, senti-me novamente a afundar num mar de informação.... Porque se entre A e B gosto de A, entre A e C já não tenho a certeza. Juntando D, F, G e o novo A versão X, afundo de vez.

E neste mar de excesso de informação, pouco se consegue decidir.



quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Eu escrevo, que mal tem??


Eu sou de comunicar pela escrita. 
Nesta casa já me assumi como uma «escritora» de bilhetes.
Cada vez que precisei comunicar algo aos restantes moradores da casa, como é raro nos vermos, principalmente todos de uma vez, é comum escrever uma nota e deixar na cozinha.

Foi assim desde o início.

Por qualquer coisa que pretendia saber ou comunicar eu escrevia um (por vezes longo) bilhete e afixava na porta do frigorífico.


Foi o que fiz quando precisei avisar que acabou-se a luz e precisávamos colocar dinheiro. Foi o que fiz quando em Fevereiro me ausentei por uma semana - deixei bilhetinho a avisar que ia estar ausente. Foi o que fiz quando desejei FELIZ NATAL a todos, em Dezembro: escrevi email, enviei cartão postal, decorei a casa... Escrevi também bilhetinhos para qualquer coisa: principalmente para disponibilizar comida que de outro modo seria desperdiçada. Um bolo-rei, três pão em baguete, chocolate, iogurte, donuts, legumes e frutas congeladas, café acabado de moer, cerejas acabadas de colher...

ENFIM.

Eu escrevo bilhetes no intuito de comunicar. Não vejo nada de mais nisso. Até já deixei bilhete escrito quando não percebi porquê a máquina de lavar novinha não estava a ligar. E escrevi bilhete quando nos atrasamos nas limpezas da casa e pedi para apanharmos o ritmo porque vinha aí um novo inquilino. 
Há momentos porém, surpreendi-me com um pedaço de conversa que me pareceu escutar. Acontece que ontem, quando num raro momento em que me alimento nesta casa, fui até à cozinha preparar uma salada para comer, fi-lo em frente ao sítio onde há uma semana colocaram o comprovativo em papel de carregamento da eletricidade e gás. Já nem me lembrava disso. Ora, o «novo» inquilino às tantas entrou na cozinha (o que faz amiúde quando escuta pessoas lá) e às tantas ao ver o papel pergunto-lhe se já haviam dito à penúltima sobre o carregamento. É que ela não estava quando precisamos fazer o depósito, por a eletricidade ter chegado ao fim. Estava apenas a 50 centimos de ser cortada! O que significa que ela não entrou com a sua parte. Na altura os dois começaram logo a dizer que depois se pediria a parte dela quando chegasse. Só que ela já chegou faz uns dias e eu ainda não a vi. Já a ouvi, em conversa com ambos os dois. E por isso perguntei ao primeiro que me apareceu à frente se já haviam falado com a penúltima. 

Vai ele, que até foi o que meteu mais entraves e sugeriu que pagássemos menos que o habitual e a seguir cobrássemos pessoalmente 10 libras da penúltima pela parte que lhe competia, responde que «não quer meter-se nisso» e que «deixava para nós» por «não gostar dessas coisas». Ao que eu respondo »mas eu também não gosto!». No sentido de que ninguém gosta de cobrar dinheiro de outra pessoa... Ele sugere que se diga ao outro inquilino - o que está aqui há mais tempo, para o fazer. O que eu não entendo bem... porque não vi necessidade de «designar» uma pessoa em particular para a simples tarefa de dizer a um residente para dar a sua parte. Não é algo extraordinário. É de se esperar ter de se pagar contas, pelo que é uma comunicação esperada. 

Mas não pensei mais nisso e fui à «minha vidinha».
Vai daí decido ir às compras e ao descer para a cozinha, vejo o papel e lembro de deixar um bilhete. A verdade é que lembrei que ainda não sei fazer o carregamento para se ter eletricidade. E por esse motivo quando percebi que apenas se tinha 0.50 centimos, e estava sozinha na casa, pensei em ir imediatamente carregar algum só recorrendo a dinheiro meu. Mas como? Se ninguém me mostrou até hoje (não por falta de o pedir) como se faz??

Corremos o risco de ficar às escuras só porque apenas uma pessoa nesta casa «guarda o segredo» de como se faz o top-up (carregamento) das contas a pagar. Ocorreu-me então que se a penúltima desse a sua parte, como estou no meu dia de folga, era capaz de ser esta a tão aguardada oportunidade para finalmente saber como se faz o top-up. E essa simples e rápida lembrança fez-me escrever um simples e simpático bilhetinho.  


VAI QUE HÁ MOMENTOS oiço o mais novo inquilino abordar o mais velho e só escuto o seguinte: "é para deixar as coisas claras"... "não fui eu...." E o outro responde: "não faz mal, ela não estava em casa. O que importa é que temos eletricidade".

Lol.
Não é preciso muita inteligência para fazer a ligação do raciocínio. O «mais novo», com receio de o interpretarem na sua verdadeira natureza (na realidade está preocupado mas não quer passar essa imagem) tratou de «descartar-se» de qualquer autoria pela presença do bilhetinho.

Como se o bilhete tivesse algum conteúdo ilícito, ofensivo. 
Atribuindo ao mesmo essa conotação!!

E quem o escreveu? Eu...
A quem estava ele então a «passar a responsabilidade» desse «gesto ofensivo»?
A mim.

Fez-me sentir uma pessoa vil por estar a lembrar a uma pessoa que na sua ausência foi preciso pagar as contas da luz e gás! 


Não achei bem.
Não gostei mesmo nada.


(PS: sobre o novo inquilino já estive para vir aqui fazer uma actualização. Mas adiei por preferir dar destaque a outros temas que não estes domésticos. Por isso está em falta uma «actualização» e contextualização. Que agora é necessária para contextualizar o que por aí poder vir). 

terça-feira, 12 de setembro de 2017

Lancei uma moda


Sem o desejar e sem os outros admitirem, acabei por lançar uma MODA no local de emprego.

A moda da trança no cabelo!!



Como o tenho longo e preciso de o prender, o mais prático e também mais saudável, é a trança. Que comecei a usar quase todos os dias, por volta de Janeiro. Os elogios não tardaram mas, como sempre fiz, dei pouca importância aos mesmos. 

Há coisa de umas três semanas é que dei conta do «fenómeno». 
Ao circular pelo emprego, fui dando conta que cada cabeça que me aparecia à frente tinha trança. No dia seguinte o mesmo, e depois o mesmo... e aí percebi que me estavam a copiar eheheh!

A este tipo de pessoa dá-se o nome de "aquela que faz os outros seguirem uma moda". A «lança-modas».

É curioso perceber que, após tantos anos, ainda tenho esta capacidade extraordinária. Sendo que o espanto está no facto de não dar qualquer importância a modas nem me envaidecer com elogios. Elogios esses que outros escutam e, na esperança de receberem também uns, vão e imitam o «elogiado».

Agora as cabeças do mulherio - excepção feita para duas - estão «infestadas» de tranças. Não importa o tamanho do cabelo, lá conseguem entrançar uns fios. 


E sei que não chegaram lá sozinhas por lhes conhecer as anteriores opiniões sobre os próprios cabelos. Uma só o queria «eriçado», porque dizia que não tinha volume então todos os dias exibia com vaidade o cabelo que mais parecia palha seca. E quando lhe diziam algo menos bom logo respondia que adorava e não ia mudar. Já o namorado dela foi dos primeiros a elogiar o meu cabelo, primeiro pela reacção de espanto e agrado que vi nos maneirismos e olhar. Dele e de outros, ao que reagi fingindo não reparar. Disse-me que gostava muito de me ver com trança e com ele solto (antes de o prender). É muito raro aparecer com ele solto mas os poucos que me viram reagiram com espanto e agrado, ficando a mirar. O que é natural, quando se convive de uniforme e cabelo apanhado. Quando calhei dizer que o pretendia cortar pareceu ficar incomodado e logo mostrou-se contra, dizendo-me que tinha um cabelo bonito de que ele gostava muito :)

Vai que há coisa de três semanas, um dos gerentes - gay, decidiu, mais uma vez, elogiar-me o cabelo. Só que o fez assim no meio de muita gente, durante o expediente. Elogiou-me numa trança e, a brincar, perguntou se «podia ficar com a minha trança» porque só lhe dava vontade de pegar numa tesoura e mo tirar. 

Depois deste instante, a «enxurrada» de cabelos entrançados não demorou a chegar, eheh.
Quase todos em cabeças de mulheres vaidosas, que tinham um estilo diferente e diziam estar satisfeitas.



O que é o poder de uma trança no cabelo certo, hei?
Ou então o poder de encantamento que o cabelo longo tem nos homens... gays ou heteros.


Mal sabem eles que o «cabelo da inveja», o cabelo inspirador de modas - este que carrego na cabeça e que não acho nada especial é somente uma amostra do que um dia chegou a ser. Está nos últimos momentos da sua vitalidade. E não sabem o quanto me entristece viver todos os dias com a sua queda irreversível.

Porém isto serve para eu descobrir que tenho de apreciar o que tenho, enquanto ainda tenho e para voltar a constatar que, mesmo algo que para nós não está bem, pode ser para outros um alvo de inveja e desejo. 

Boa semana, pessoal!!



sexta-feira, 8 de setembro de 2017

♫ Jingle Bells...


Em Portugal também já está assim??


quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Valorizando a Caixa Registadora


És bom no teu trabalho se fores o que colectou mais dinheiro dos clientes

Foi a essa conclusão que cheguei após escutar a conversa entre três chefes. Falavam de empregados quando chegaram ao nome de um rapaz. Um dos chefes não estava a lembrar-se de quem se tratava pelo que depois de uma breve descrição lembrou-se. A descrição que mais usaram para o definir foi «ele é muito bom». Mas já não se lembravam onde ele andava. Por fim, curiosos, chegaram à conclusão de que o «muito bom» já não estava a trabalhar na empresa. Talvez para lá de dois meses. Ninguém sabe quando foi embora!

Fui eu que adiantei: Acho que ele só pretendia ficar até finais de Junho, Julho - participei.

Estamos em Setembro. 
Passou Julho, passou Agosto. E veio Setembro.
Em todo este tempo ninguém sentiu a falta do «muito bom».

E o que achei realmente grave: ninguém sabe as circunstâncias em que saiu da empresa. Se comunicou a alguém, a quem, ou se algo terá acontecido. Só chegaram àquela conclusão por um deles ter avistado um documento que permite essa dedução. 

Mas eu adivinho. 
Trabalhei com ele e escutei a sua postura diante da empresa. O «muita bom» estava a cagar-se para aquilo. O «muita bom» não pretendia ficar ali muito tempo. O «muita bom» só gostava de gabar-se. Era tão inconveniente e fazia comentários irritantes que até teve um superior a «relembrá-lo» quem mandava ali. Achava-se o maior, o melhor. O mais rápido e ele próprio dizia a todos os outros que era quem mais fazia dinheiro todos os dias. 

Mas como é que o «muita bom» conseguia essa proeza?

O «muita bom» era LADRÃO de clientes. 
O «muita bom» encostava-se à caixa registadora e não se afastava muito desta. Recusava-se a fazer todos os outros trabalhos dentro do bar, como arrumar os copos nas prateleiras. Porque nesse simples ato podia perder um cliente para outro colega e isso arruinava o seu objectivo de ser o «maior». O «muita bom» deixava o trabalho pesado para os outros. E se avistasse um cliente a aproximar-se do lado oposto, mesmo que um outro colega estivesse mais perto e já a estabelecer contacto com o cliente, ele ignorava e «roubava» o cliente.

Outros ali fazem o mesmo.

E ele era mentiroso. Gostava de inventar histórias. Porém descobri-o também traidor e vil, porque quando serviu de testemunha do conflito que tive com o bully, vim a descobrir que todo o seu depoimento foi inventado. Foi como ler um conto de ficção científica. Ele pôs-se a relatar acontecimentos que não presenciou, atribuindo falas às personagens que jamais foram pronunciadas. Só que as «personagens» não eram ficcionais, eram pessoas de carne e osso e ele não teve escrúpulos em brincar com a vida de outras pessoas. O que demonstra mau carácter. 

Por isso não considero este tipo de empregado «muito bom». Considero-o bem mediocre e de pouca confiança. Porque além de «roubar» clientes e recusar-se a trabalhar, também dava para entender que estava-se nas tintas para tudo. Se isso é ser «muita bom»? Acho que é o oposto.

Cheguei à conclusão de que uns são «formiguinhas obreiras», como certamente é o meu caso. E outros são as «rainhas da colmeia» ou as «celebridades» locais, que irradiam um falso brilho sobre o qual giram os mosquitos e outros insectos parasitas. E nem sempre estas pessoas são melhores pessoas. Muitas vezes, são até o oposto. Tirem-lhes o apoio das formiguinhas obreiras e não são nada. Contudo, são as formiguinhas obreiras que são consideradas dispensáveis. 


domingo, 3 de setembro de 2017

Falta de empatia - 2


Fiquei em CHOQUE
quando uma colega no emprego a quem pedi uma troca de turno recusou-se a colaborar. Ela sabia que os meus motivos se prendiam com a presença de família aqui em Inglaterra. Família essa que não tive oportunidade de ver porque estamos em áreas diferentes do país. Mas como vão ter de se deslocar à cidade onde estou a trabalhar, com a troca de turno tenho uma tarde para estar com eles. Essa colega sabia de tudo isto, veio até puxar conversa comigo para me extrair informações sobre os meus familiares. Quem eram, o que faziam, se já tinha estado com eles, etc. Há semanas ela estava a sentir-se revoltada e chateada com uma situação no emprego e eu «emprestei-lhe» os meus ouvidos, nos quais ela pode desabafar. 

Além destes factores também existem bons motivos práticos para ter contado com a colaboração dela, tendo sido apanhada de surpresa com o «não» e o motivo fútil que apresentou. Muitos deles só os juntei DEPOIS da sua recusa, o que só fez foi revelar de vez e solidificar a então ténue malícia e egoísmo que pressentia no seu carácter. 

Ela só vai trabalhar dois dias entre as folgas. O que significa que a troca não a ia desgastar de maneira nenhuma. Seria o primeiro dia de trabalho dela e só teria de entrar três horas mais tarde. O que significa três horas a mais para dormir, não ter de acordar de madrugada e poder estar mais tempo na cama com o namorado. Mas ela recusou dizendo apenas que «não queria sair mais tarde». 

Não é por querer ficar com o namorado depois, não! Porque este também trabalha ali e vai entrar exatamente quando ela vai sair. Ela estaria com ele sim, se aceitasse a troca. Ia partilhar três horas do seu dia com ele, se aceitasse. Da forma como está, os dois só dormem na mesma cama mas não se vêm. Porque quando um está a entrar em casa, o outro está a sair. Nem é por ter família com quem quer estar depois, porque não a tem. Nem muitos amigos próximos. Foi simplesmente por lhe ter sido dada a oportunidade de «ser cabra», como diz algumas vezes. E por egoísmo. Visto que quem sai três horas depois tem trabalhos diferentes para concluir, geralmente mais «chatos». 

Mas tudo acontece por um motivo e a sua recusa ajudou-me e muito. 

Julgo que de hoje em diante não vou mais iludir-me a respeito de quem ela é. A sua juventude e personalidade tagarela disfarçava um pouco a sua malícia e preguiça. Mas ela escolheu deixar bem claro que lado prefere mostrar comigo.  

Sei que um dia o Karma a vai apanhar pela sua falta de empatia. Principalmente quando esta não lhe custaria quase transtorno algum. Por isso é que foi feio e revelou que ela carece de aprender a lição sobre nos ajudarmos uns aos outros, porque um dia sou eu, no outro serás tu. É claramente uma lição que a jovem está a precisar aprender. Será a vida a lhe dar. Não é assim que todos nós aprendemos as nossas?

A sua recusa também me fez aprender. 
Ajudou-me a entender quem é.
Ajudou-me a entender quem preciso de ser (e teimo em não conseguir).

E ajudou-me a encontrar pessoas de melhor carácter. Prontas a ajudar o próximo.
É sempre bom quando se identificam pessoas assim! :D


Fiz a troca à mesma e no processo confirmei quem são as pessoas de carácter mais nobre com quem posso contar.





sexta-feira, 1 de setembro de 2017

Falta de empatia


As aranhas voltaram a fazer-me das suas.
Há dois dias avistei, pelo canto do olho, algo a mexer e quando pus os olhos em cima da carpete, lá estava ela, grande, cheia de pernas! A atravessar o quarto em direcção à cama.



Consegui esborrachá-la mas a malandra ainda lutou pela sobrevivência e, com menos uma perna, tentou fugir. Implorei para que fosse um golpe de misericórdia pois, a pesar de tudo, não me agrada matá-las e, a ter de fazê-lo, não quero que seja demorado.

Hoje por volta das três da manhã, a cena voltou a repetir-se. No mesmo local, o mesmo tipo e tamanho de aranha!

Já não gostei. É uma frequência demasiado grande e não acredito muito em coincidências. Comecei a pensar que certamente existe uma razão para elas aparecerem mais vezes. E claro que atribuo essa possibilidade a alguns hábitos que se praticam na casa. 

Aqui deixam-se as janelas abertas durante a noite. E as luzes do corredor, que iluminam essas janelas, também acesas. As portas dos cómodos em comum não são fechadas, pelo que qualquer inseto ou praga no exterior tem uma espécie de "farol" a guiá-lo para o interior.

Quando o colega esteve de férias, por casualidade de uma grande ventania, começou-se a fechar as portas e, ocasionalmente, as janelas. E não é que tudo melhorou?

Não apareceram mais insectos ou aracnídeos, pelo menos no piso de cima. 
No piso de baixo, por dificuldade em chegar às pequenas janelas superiores que o colega abriu sabe-se lá como, acaba-se por as deixar abertas 24h por dia. Mas essas portas - a da cozinha e a da sala, ocasionalmente são fechadas.

Por exemplo, quando a penúltima colega fez da mesa e cadeira da sala um estendal de roupa durante quatro semanas, começou a fechar a porta para deixar mais "oculto" toda a desarrumação. 


Acontece que, em ambas as ocasiões, quando elas me apareceram dentro do quarto, tinha acabado de ir ao WC onde também vi outras de tamanho considerável mas menores, e as esborrachei. Desde que cá estou a morar tenho visto sempre aranhas nesta casa. Por vezes ignoro-as, a maioria das vezes, tento escorraçá-las ou eliminá-las. Depende. Mas quando dentro do meu quarto e de noite, enormes que são, não consigo simplesmente "ignorar". Pois se adormeço sei lá o que elas decidem fazer... 
De dia vejo-as, estou ativa, se uma se aproximar provavelmente dou conta. Mas de noite quero é entrar no sono... Não quero preocupar-me com o ter uma ou duas a rastejar-me pelas pernas acima ou a passear no meu rosto e cabelo.

Aliás, o primeiro «contacto em primeiro grau» que tive com uma aranha nesta casa, foi precisamente durante a noite, luz apagada, computador aceso. Mexia na cabeça quando dei conta, graças à luz do aparelho, tinha uma pequena aranha pendurada no cabelo. Esta acabou por cair em cima do portátil e enfiar-se dentro do teclado. Aí é que não dormi em condições, pois a sabia viva, capaz de escapar do seu esconderijo de volta para o meu corpo ou então procriar centenas de outras aranhas dentro do aparelho eletrónico!

Aqui nesta casa, quando partilho as minhas preocupações com as aranhas - o que até agora só fiz realmente duas vezes num espaço pouco maior que três meses, brincaram com a situação. 

E foi assim que ainda há instantes, numa rara ocasião em que vi a penúltima colega a aspirar o quarto dela que fica ao lado do meu - quarto esse no qual ela mantem a luz do teto acesa durante toda a noite, até amanhecer e deixa a janela aberta -  pedi-lhe que "aspirasse" a aranha esborrachada durante a madrugada. Pois eu já não tive coragem de abrir a porta do quarto e sair para o corredor, onde poderia encontrar mais aranhas. Nem a apanhar com papel higiénico e atirá-la na sanita, pois é onde poderia encontrar mais aranhas. Mas acima desses motivos, não saí do quarto por causa dos outros que estavam nos seus. Não quis incomodar ninguém. Caso visse outras aranhas e estivesse sozinha em casa, tudo bem. Podia fazer barulho na tentativa de "caça" às mesmas e até dar uns «gritinhos» mais altos. Mas havendo outras pessoas em casa, procuro ser atenciosa. 

O que fiz, estando assustada com a experiência e já amedrontada que se volte a repetir esta noite, foi escrever um email a todos os colegas dizendo o que aconteceu, re-admitindo que tinha um pouco de fobia a insectos durante a noite e que por esse motivo, ao escurecer ia passar a fechar as janelas das casas-de-banho.

Não esperava grande feedback mas quando pedi à penúltima para «sugar» com o aspirador a aranha, ela fez pouco caso. 
-"Ah, a aranha" - disse um pouco em tom de desdém já a dar-me a entender que tinha lido o email escrito fazia umas quatro horas antes. Depois acrescentou: 
- "Eu nunca encontrei uma aranha no meu quarto".

Pois claro que não. Naquele quarto em que só hoje vi a cor da carpete, onde mantém tudo apilhado, ela dificilmente encontra o sapato que dá com o outro sapato. Alguma vez ia reparar numa aranha? Nela os bichos podiam fazer habitat...

Mas subitamente senti-me triste. Pela falta de empatia.

A solidão que nos faz sentir errados e excluídos

Percebi o quanto é grave. Seja pelo medo de aranhas ou por outra coisa qualquer. Eu procuro não cair nessas mesmas armadilhas... mas fiquei a pensar que o Karma é lixado. Se eu tenho esta «fobia» a insectos durante a noite, certamente que outros terão outras paranóias. Não é porque não têm esta que estão imunes. Por isso não deviam fazer troça ou pouco caso de quem as tem. Porque mais tarde ou mais cedo, também eles serão confrontados com alguma espécie de "fobia". Todos temos alguma coisa... 

A colega com quem mais falava deixou a casa ontem. Já cá está outro. Quando ela leu o meu email sobre os insectos, contou-me que se riu com a resposta do colega masculino (que me aconselhou a apanhar as aranhas e a libertá-las no jardim das traseiras). E contou-me que tinha um amigo que não podia ver aranhas, que se visse uma fugia e não aparecia mais. Na altura aquelas palavras caíram-me bem mas hoje percebi que, com essa história, ela tratou-me com normalidade e até me fez sentir uma pessoa acima da média, pois eu não desato a correr das aranhas. Por muito que me custe, tento lidar com elas sem ir chamar terceiros. Mesmo não gostando.

Até conheci esse seu amigo com medo de aranhas, pois ele passou cá uma noite. 

A aranha foi a principal inspiração para o monstro ficcional
no filme Alien

O problema é que as pessoas cosmopolitas deixaram de temer estes insectos e rastejantes, preferindo ignorar e o seu poder como parasitas. Depositam demasiada fé na medicina e confiam demais na inofensividade dos referidos. Como não vivem no Brasil, ou em África, onde simlpes mosquitos continuam a ser a principal causa de propagação de doenças que causam muitas fatalidades, gozam e menosprezam o poder assassino que todos têm. 

Por estas bandas pode até ser raro um insecto causar grande devastação. Mas não é impossível. Uma simples googlada na net e já se percebe que uma aranha pode causar alergias de pele, problemas de saúde, pode até alojar-se no ouvido humano sendo que o hospedeiro só tem como sintoma uma dor de cabeça... enfim. Eu não quero dar a mínima hipótese de me tornar hospedeiro de nada. Esquecem que os insectos e os parasitas SÃO aqueles que vão aparecer para te devorar no segundo em que virares cadáver. Os insectos podem ser minúsculos, mas não são brincadeira...